Futebol e a escravidão no século XXI


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Futebol e a escravidão no século XXI

por Charles Nisz

 

Olá, amigos. Estou honrado de escrever esta coluna para o Borbulhando e compartilhar minhas opiniões sobre esporte com vocês. O começo de janeiro é tradicionalmente marcado pela disputa da Taca São Paulo de Futebol Júnior.

Muitos comentaristas reclamam do inchaço sofrido pela Copinha nos últimos anos. Mas pouca gente discute os motivos do aumento do número de participantes no certame. Em poucos anos, o número de times passou de 32 para 80. A quantidade de partidas passou de 64 para 152. Um aumento considerável.

Para além do interesse das emissoras de televisão e das prefeituras – interessadas em sediar a competição, há o dedo dos empresários por trás do crescimento do número de participantes. Hoje eles são donos dos passes dos jogadores, tem participação em um (ou mais) clube e intermedeiam as negociações dos direitos de transmissão.

Assim, um campeonato marcado pelo bom futebol e pela revelação de craques como Falcão, Marcelinho, Djalminha e Amoroso virou mera vitrine. Muitos dos meninos que começaram a correr atrás da bola no dia 3 irão embora do País antes de completar 20 anos.

Não estou defendendo a manutenção do passe. A lei Bosman e a sua equivalente brasileira, a lei Pelé, foram um avanço. Mas essas mudanças pouco alteraram a vida do jogador e quem saiu ganhando foram os empresários. Tudo isso a custa do enfraquecimento dos clubes.

Exemplo dessa situação foi a transferência de Robinho para o Manchester City. Instigado pelo empresário, o craque fez de tudo para sair do Real Madrid. Isso porque, a cada mudança de clube, empresário e jogador recebem uma fatia. O jogador passa a valer pelo potencial de venda.

Fortalecer os clubes é a melhor maneira de resolver a situação. Criar uma legislação para impedir a saída de jogadores com menos de 18 anos e estimular contratos mais longos são medidas para amenizar o pacto colonial futebolístico: a América do Sul exporta os jogadores a baixo custo e a Europa faz o espetáculo e vende os ingressos e as transmissões mundo afora a preço de ouro.

No blog do Torero, há uma discussão parecida. Torero compara o futebol de hoje com a lavoura de café no Brasil do século XIX. Até a semana que vem.

Charles Nisz é repórter e foi editor de esportes do portal Msn.com.br

Acesse o site do Charles


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